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UFCA coordena 1º Centro de Referência em Formação Continuada para Equidade Racial do Brasil

Publicado em 27/6/2026



Capacitar profissionais para aplicação de práticas pedagógicas focadas na inclusão racial. Essa é a ideia principal do Centro de Referência em Formação Continuada para Equidade Racial, projeto  desenvolvido coordenado pela a Universidade Federal do Cariri com apoio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação.

O Cariri cearense foi a primeira região do Brasil escolhida pelo MEC para implementar a iniciativa, que será vinculada à Universidade Federal do Cariri (UFCA).

A solenidade de abertura do projeto ocorrerá nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, a partir das 14h, no campus Juazeiro do Norte da UFCA (Bloco H – Auditório Beata Maria de Araújo). O evento é aberto ao público e não é necessário inscrição prévia para participar. 

O centro de referência é coordenado pela professora Ana Paula dos Santos, do Instituto de Formação de Educadores (IFE/UFCA), em conjunto com a Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Saade/UFCA). A iniciativa também está cadastrada na Pró-Reitoria de Extensão (Proex/UFCA). Além da UFCA, também integra as atividades do centro o Grupo de Valorização Negra do Cariri (Grunec) e seus três núcleos – Terreiro das Pretas, Projeto Oliveiras e EducaErê.  

Ações formativas e territórios assistidos 

Conforme Ana Paula, a finalidade do centro é implementar ações formativas a partir dos eixos da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ) – instituída pelo MEC em 2024. A PNEERQ atua junto a estados, municípios e Distrito Federal para garantir direitos fundamentais no âmbito da educação para negros, quilombolas e comunidades tradicionais. 

Em 2026, o centro irá concentrar suas ações em cinco municípios cearenses: Araripe, Brejo Santo, Crato, Salitre e Santana do Cariri. A futura sede da iniciativa será no bairro Alto da Penha, no Crato. 

Entre as metas estabelecidas pela iniciativa estão contribuir para o fortalecimento de práticas inovadoras no âmbito das relações étnico-raciais de educação e implementar políticas educacionais voltadas para equidade racial e quilombola. 

De acordo com Ana Paula, que também atua como coordenadora de formação no Grunec, a ideia de criação do projeto surgiu por meio da atuação de quase 30 anos desse grupo no Cariri e da necessidade de uma formação continuada dos profissionais da educação a partir das noções de equidade. 

“Tanto a formação desses profissionais quanto os direitos de aprendizagem de crianças, de jovens e de adultos ainda não tinham sido considerados na perspectiva da Equidade. A articulação entre UFCA, Grunec e secretarias municipais mostrou a possibilidade urgente de criar um espaço institucional dedicado a essa formação, com metodologias que garantem ações com um público que está vinculado à educação formal e informal”, destacou a docente.

Atuação da UFCA no projeto

A UFCA é a instituição proponente e atuará como executora do projeto-piloto, por meio da inserção da professora Ana Paula e de sua atuação junto ao movimento negro.

Segundo a professora, isso significa que a UFCA irá garantir a estrutura acadêmica necessária, os formadores internos qualificados e a relação institucional entre as redes municipais de educação e o Grunec: “É a universidade que dá sustentação técnica, científica e administrativa ao centro”, reforça a docente. 

Como coordenadora do projeto, Ana Paula afirmou ainda que terá como papel central a articulação entre todas as frentes do projeto (universidade, secretarias e movimento negro), para que as formações propostas pela iniciativa ocorram com qualidade, coerência e impacto real nas escolas. 

“O Centro se articula com o Marco Referencial de Equidade na Educação – uma estratégia do governo federal para promover equidade nas políticas educacionais. Nosso trabalho dialoga com esse marco ao traduzir o conceito de equidade em formação continuada concreta, contribuindo para a elevação dos índices de aprendizagem nas redes municipais do Cariri”, ressaltou.  

Formação de qualidade, enraizada no território e que valoriza a história 

Para Ana Paula, o projeto proporciona que a UFCA reafirme seu compromisso com a extensão universitária de impacto social, posicionando-a como referência nacional em formação para equidade racial. 

“Ao abrigar um marco referencial de equidade racial na educação, a universidade assume o protagonismo na construção de políticas públicas baseadas em evidências e práticas sistematizadas”, afirmou.

Sobre o impacto do projeto para a região, a docente da UFCA afirma que abrigar uma iniciativa como essa é uma oportunidade de transformar práticas pedagógicas ao mesmo tempo em que se produz conhecimento replicável para todo o Brasil.

“Para o Cariri, significa que professores, gestores e comunidades escolares passam a ter acesso a uma formação de qualidade, enraizada no território, que valoriza a história e a cultura negra local”, finalizou.

Serviço 

Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade 

saade@ufca.edu.br


Fonte: https://ufca.edu.br







Sobre o projeto

O Centro de Referência em Formação Continuada para Equidade Racial no Cariri é um projeto desenvolvido pelo Grupo de Valorização Negra do Cariri em parceria com a Universidade Federal do Cariri e apoio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação.

A iniciativa fundamenta-se nas diretrizes da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola e nas Leis 10.639/2003 e 11.645/2008.

Seu foco é a implementação de políticas de equidade racial na educação básica por meio da integração entre saberes acadêmicos e tradicionais.

O projeto fornece referenciais para a atuação de gestores e educadores na organização da oferta formativa e elaboração de projetos político-pedagógicos, objetivando a redução de desigualdades educacionais, a valorização das identidades culturais e o fortalecimento do acesso e da permanência de estudantes negros e quilombolas no sistema de ensino público.

Geograficamente, o centro atua na região do Cariri cearense, com atividades concentradas inicialmente nos municípios do Crato, Araripe, Brejo Santo, Santana do Cariri e Salitre, com a estimativa de atendimento direto a 488 pessoas e impacto indireto em outras 600. A estrutura do projeto contempla 444 horas de atividades organizadas em seis eixos formativos para espaços formais e não formais de educação. 

Formação continuada:

Os eixos de atuação do projeto, englobam atividades de letramento e círculos de memória para mulheres e jovens quilombolas, formação continuada em letramento racial para professores da educação infantil e o ensino de linguagens audiovisuais e fotográficas para alunos do ensino fundamental. Adicionalmente, as ações integram o uso de saberes tradicionais e jogos africanos no currículo escolar, a capacitação de agentes locais em afroturismo educativo voltado à economia solidária e um curso sobre construção sustentável e comunitária baseada na arquitetura de terra crua.

Através de seis eixos formativos interdisciplinares, promovemos oficinas, rodas de conversa, produção de materiais didáticos e ações culturais que conectam a sala de aula ao território. Nosso compromisso é com a equidade — garantir que cada criança, jovem e educador quilombola tenha acesso a uma formação que reflita sua identidade, sua história e sua potência.

 

Coordenadas de Impacto







Eixos das Ações formativas





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